sexta-feira, 31 de maio de 2013
MIMETISMO - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.
MIMETISMO
Estudados desde as origens das ciências biológicas, os fenômenos relativos à assimilação de formas, cores ou disfarces destinados à proteção de indivíduos ou espécies passaram a ser designados pela palavra mimetismo desde o início do século XIX. Importantes pesquisadores da época, como Henry Walter Bates, Alfred Russel Wallace e Fritz Müller, estudaram a fundo esse curioso recurso da natureza.
Mimetismo é o fenômeno pelo qual um ser vivo se apresenta com aparência (forma, desenho, colorido, odor ou emissão de som) de outro, ou assume características que o confundem com o meio ambiente em que se situa. Chama-se "modelo" o animal, vegetal ou detalhe ambiente a que se assemelha o "mímico" ou "ser mimético", animal ou vegetal que toma a aparência do modelo. Pode-se distinguir o mimetismo em homocromia, ou semelhança com a cor do modelo, e em homotipia, ou aquisição da forma daquele.
O fenômeno distingue-se ainda como defensivo ou protetor, quando o mímico assume as características de um modelo mais bem protegido; e ofensivo ou agressivo, quando o ser mimético toma o aspecto de outro inofensivo, o que lhe permite mais facilmente passar despercebido ao atacar a presa.
O naturalista inglês Henry Walter Bates foi o primeiro a conceituar cientificamente a natureza do mimetismo, ao observar variadas espécies de borboletas no vale do Amazonas. Bates, cujos trabalhos a esse respeito foram publicados em 1862, verificou que às espécies gregárias de lepidópteros da família dos heliconiídeos, dotadas de odor repugnante, misturavam-se outras sem essa propriedade e pertencentes à família dos danaídeos. A semelhança morfológica e de coloração entre as borboletas dos dois tipos era tal que só um exame minucioso permitia distingui-las. Bates concluiu então que a aquisição do aspecto externo de uma espécie protegida por seu odor nauseabundo fazia com que os danaídeos inofensivos não fossem atacados por seus predadores habituais. A essa modalidade de mimetismo deu-se o nome de mimetismo batesiano.
Em 1865, o naturalista inglês Alfred Russel Wallace fixou as seguintes leis para o mimetismo: (1) a espécie mimética ocorre na mesma área e época do ano que o modelo; (2) os miméticos são sempre menos protegidos; (3) os miméticos são sempre menos numerosos e menos prolíficos; (4) os miméticos sempre pertencem a grupo sistemático diverso do grupo de seus modelos; (5) a semelhança nunca se estende a caracteres internos que não afetam o aspecto exterior.
Em 1879, o naturalista alemão Fritz Müller, radicado no Brasil, descreveu outro tipo de mimetismo, em que a proteção de um grupo de animais se torna eficiente depois que o predador aprende, por experiência, a selecionar suas presas. Por exemplo, a lagarta Euchelia jacobaea, berrantemente colorida com faixas amarelas e negras, é rejeitada por aves insetívoras após um contato mínimo, devido a secreções nauseabundas que emanam de sua derme. As vespas que trazem o mesmo padrão de coloração têm igualmente gosto nauseabundo, por causa de seus órgãos digestivos. Conseqüentemente, as aves, após terem atacado vespas ou lagartas daquela espécie, rejeitam qualquer inseto que exiba o mesmo tipo de padrão cromático. Tal condicionamento permite, assim, proteção coletiva de grande quantidade de insetos, assemelhados uns aos outros. Desse modo, fica dividido entre as duas ou mais espécies semelhantes o sacrifício inevitável de vidas necessário ao aprendizado do predador, sacrifício que de outra forma incidiria sobre cada espécie.
O mimetismo mülleriano apresenta as seguintes características: (1) as espécies possuem coloração de advertência e proteção; (2) todas as espécies devem ser igualmente abundantes; (3) a semelhança entre as formas não é necessariamente tão exata como a que ocorre no mimetismo batesiano.
No mimetismo batesiano, em suma, uma espécie desprotegida assume o aspecto de outra, copiosa e bem protegida, de modo que o mímico é um parasito da reputação do modelo. No mimetismo mülleriano, várias espécies, todas freqüentes e bem protegidas, mostram traços comuns de advertência. Nem sempre, todavia, é possível determinar se uma associação é batesiana ou mülleriana. Em alguns casos, um mímico batesiano de uma espécie pode atuar como mímico mülleriano de outra.
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ORNITOLOGIA - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.
ORNITOLOGIA
A ornitologia é uma das poucas ciências beneficiadas por importantes contribuições de amadores. E embora muitas informações provenham de observação direta, algumas áreas da ornitologia tiram proveito de técnicas e instrumentos modernos como anilhamento de aves, radar e radiotelemetria.
Ornitologia é o ramo da zoologia que estuda as aves, a partir quer de sua distribuição na superfície do globo, das condições e peculiaridades de seu meio, costumes e modo de vida, quer de sua organização e dos caracteres que as distinguem umas das outras, para classificá-las em espécies, gêneros e famílias.
No Ocidente, Aristóteles foi um dos primeiros a escrever sobre as aves em sua obra Sobre a história dos animais, continuada em Roma, mais de três séculos depois, por Plínio o Velho. Várias obras da Idade Média e do início da era moderna registram observações pessoais relevantes, como A arte de caçar com aves, escrita pelo imperador alemão Frederico II no século XIII, ou a Histoire de la nature des oiseaux (1555; História da natureza das aves), do naturalista francês Pierre Belon. O marco inicial do estudo científico das aves é o trabalho do naturalista inglês Francis Willughby, continuado por seu colega John Ray, que publicou The Ornithology of F. Willughby (1678; A ornitologia de F. Willughby), em que aparece a primeira tentativa metódica de classificação das aves, baseada essencialmente nos caracteres de forma e de função.
Aplicaram-se à ornitologia, como aos demais ramos das ciências naturais, os métodos do naturalista sueco Lineu, cuja classificação sistemática, ou taxionomia, foi adotada como ponto de partida para todas as questões relativas à nomenclatura binária das espécies do mundo vivo, seguida com absoluta consistência pelos ornitólogos.
Em conseqüência dos grandes descobrimentos marítimos do século XVI, um número crescente de aves inteiramente desconhecidas pelos europeus ficou sem classificação, o que se tornou um problema para a ornitologia. Os pesquisadores passaram a estudá-las por meio de exemplares conservados em seus gabinetes, origem dos primeiros museus. Entre essas coleções particulares figurava a do físico francês René de Réaumur, a quem se deve a técnica de conservação dos exemplares a seco (taxidermia), em que se baseiam os estudos taxionômicos.
No século XIX os especialistas concentraram-se na anatomia interna, por sua aplicação à taxionomia. No decorrer do século XX, o estudo anatômico cedeu lugar ao crescente interesse por critérios ecológicos e etológicos.
Ornitologia no Brasil. Entre as referências mais antigas feitas à avifauna brasileira destacam-se as que se encontram no livro do arcabuzeiro alemão Hans Staden, que caiu prisioneiro dos índios por volta de 1553. A essa fonte somam-se as informações esparsas nas obras de dois franceses, o franciscano André Thevet e o calvinista Jean de Léry, bem como nas de outros religiosos e viajantes. O estudo das aves indígenas figura como um dos capítulos mais importantes da Historia naturalis Brasiliae (1648), do naturalista holandês Georg Marcgrave.
Valiosos dados, cujo interesse se mantém até hoje, foram coletados no período colonial pela "viagem filosófica" de Alexandre Rodrigues Ferreira à região amazônica, patrocinada pela coroa portuguesa no final do século XVIII. Todas as muitas expedições científicas ao Brasil durante o século seguinte, como a de Georg Heinrich von Langsdorff, a do príncipe Maximilian von Wied-Neuwied e a de Hermann Burmeister, deixaram registros ornitológicos de variada importância. A obra de Burmeister se notabilizou por haver tentado uma descrição geral das aves do país, embora muito limitada a regiões de Minas Gerais. Materiais obtidos pelo colecionador alemão Johann Centurius von Hoffmannsegg e incorporados ao Museu de Berlim permitiram que Johann Karl Wilhelm Illiger, Martin Heinrich Lichtenstein e outros descrevessem espécies até então ignoradas na Europa.
O francês Pierre-Antoine Delalande colecionou extraordinário número de espécies novas, de ocorrência no Rio de Janeiro, descritas por seu compatriota Louis Vieillot. Outro francês, Edouard Ménétriès, que viajara por Minas Gerais em companhia de Langsdorff, reuniu material que mais tarde estudou no Museu de São Petersburgo. Entre os ornitologistas ingleses no Brasil o principal foi William Swainson, que descreveu e desenhou primorosamente as aves nordestinas. Foram também muito úteis aos estudos ornitológicos brasileiros as viagens de Alfred Russel Wallace e de outros à Amazônia, assim como o Catalogue of the Birds in the British Museum (1874-1875; Catálogo de aves do Museu Britânico), que marcou época e até hoje constitui obra indispensável aos estudiosos. O dinamarquês Johannes Theodor Reinhardt ocupou-se das aves coletadas por Peter Wilhelm Lund em sua jornada pelas regiões campestres de Minas Gerais e estados vizinhos. A expedição americana de 1865, chefiada por Louis Agassiz, assinalou o começo de um ciclo de visitas ao Brasil de naturalistas-colecionadores dos Estados Unidos.
Dentre os principais estudos da ornitologia brasileira destacam-se os trabalhos realizados no Museu Nacional, no Rio de Janeiro; no Museu Emílio Goeldi, em Belém do Pará; e no Museu Paulista, que em 1907 publicou um Catálogo das aves do Brasil, seguido por edições ampliadas. Outras obras fundamentais de referência são As aves do Brasil (1894-1900), de Emílio Goeldi, e Catálogo das aves amazônicas (1914), de Emilie Snethlage.
Olivério de Oliveira Pinto divulgou, entre 1938 e 1978, uma série de trabalhos sistemáticos sobre a ornitologia brasileira. Seu Catálogo das aves do Brasil e lista dos exemplares na coleção do Departamento de Zoologia de São Paulo (1944) foi progressivamente aumentado e transformou-se na Ornitologia brasiliense; catálogo descritivo e ilustrado das aves do Brasil.
A obra Ornitologia brasileira (1984), de Heinrich Helmut Sick, expandiu os trabalhos anteriores e elevou para 1.590 -- e depois, em 1986, para 1.607 -- o número de espécies descritas no país. Essa obra, que dedica a cada espécie uma descrição detalhada e muitas estampas de identificação, atualizou a sistemática e tornou-se fonte essencial pelas observações de campo coletadas, em muitos anos de pesquisa sobre nidificação, reprodução, alimentação, migrações e, sobretudo, vocalização das espécies. Augusto Ruschi conquistou renome internacional ao especializar-se no estudo dos beija-flores, à frente do Museu de Biologia Professor Melo Leitão, em Santa Teresa ES.
No campo da divulgação, são ainda importantes os livros de Eurico Santos, como Da ema ao beija-flor (1938) e Pássaros do Brasil (1940), e o Dicionário dos animais do Brasil (1940) de Rodolfo von Ihering. O dinamarquês Svend Frisch desenhou pássaros brasileiros. Seu filho, o brasileiro Johan Dalgas Frisch, engenheiro dedicado à ornitologia, gravou cantos de dezenas de aves brasileiras, entre elas uirapuru, sabiá, bem-te-vi e tico-tico, e publicou Aves brasileiras (1981).
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METAMORFOSE - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.
METAMORFOSE
Alguns animais exibem extrema diferença morfológica entre suas larvas e os espécimes adultos, a ponto de durante muito tempo terem sido consideradas espécies independentes. Só um estudo detalhado demonstrou que representam diferentes fases do desenvolvimento de uma mesma espécie.
Metamorfose é o conjunto de profundas modificações morfológicas e estruturais que alguns animais apresentam em seu desenvolvimento, do estado larvar à fase definitiva ou adulta. Embora o fenômeno ocorra em alguns moluscos, peixes, crustáceos e equinodermos, o termo se aplica com mais freqüência às transformações de anfíbios e insetos.
A metamorfose se completa em período relativamente curto e nela se formam novos órgãos e tecidos, próprios do estado adulto, ao mesmo tempo que desaparecem outros, funcionais apenas na vida da larva. Há metamorfoses regressivas, como as de alguns animais parasitários, em que se produz, na própria fase larvar, uma redução e simplificação de estruturas, de que decorrem formas adultas desprovidas de diversos órgãos e apêndices.
Entre os insetos, a metamorfose pode ser incompleta ou simples, caso das espécies hemimetabólicas (em que a larva ou ninfa já tem o aspecto e a definição orgânica do adulto), ou completa, como nas espécies holometabólicas. Estas últimas, para chegarem à fase adulta, passam por um estado intermediário, o de pupa, em que o inseto permanece imóvel e, com freqüência, envolto num casulo ou película que a larva segrega, até se completarem as transformações orgânicas e funcionais que o levarão à etapa final, a de adulto ou imago.
Gafanhotos, cupins e percevejos estão entre os insetos que sofrem metamorfose incompleta. A completa é típica de insetos como besouros, borboletas, mariposas, vespas, formigas, mosquitos e moscas. A metamorfose dos insetos é regulada por dois hormônios: a neotenina, cuja ação tende a manter as características larvares, e a ecdisona, que determina o aparecimento de novas características.
Entre os anfíbios, o processo é mais acentuado nos anuros ou batráquios (rãs e sapos), cujas larvas, desprovidas de extremidades logo após a eclosão do ovo, entram em desenvolvimento como girinos e adquirem então uma pequena cauda e brânquias, que perderão no curso da metamorfose. Ao mesmo tempo ocorrerão transformações notáveis, induzidas pela ação do hormônio tireóideo, que afetarão todo o organismo, como o crescimento das extremidades, a ossificação do esqueleto, o aparecimento dos pulmões, as alterações que incidem sobre os aparelhos circulatório e digestivo.
A vantagem evolutiva que a metamorfose confere aos animais que a sofrem relaciona-se à capacidade destes para viver, ao longo de várias fases, em distintos meios ecológicos, o que em princípio pode garantir à espécie maiores possibilidades de sobrevivência ante eventuais mudanças no ambiente ou no clima.
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JARDIM ZOOLÓGICO - Objetivos, problemas, organização. - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.
JARDIM ZOOLÓGICO
Populares em todo o mundo, os jardins zoológicos são espaços de lazer e recreação que possuem também funções educativas e culturais.
Jardim zoológico, também chamado simplesmente de zoológico ou zôo, é um espaço preparado para abrigar espécies animais em cativeiro, finalidades culturais, educativas e científicas. Também serve para preservar espécies sob risco de extinção em seus habitats naturais.
Evolução histórica. O hábito de colecionar animais vivos é antigo e esteve presente em várias civilizações. Mais de mil anos antes da era cristã, imperadores chineses construíam jardins onde expunham milhares de aves, mamíferos e peixes exóticos.
As conquistas de Alexandre o Grande levaram a civilização helênica até o coração da Ásia e fizeram aumentar o interesse por animais de formas curiosas, trazidos de regiões longínquas. Com os imperadores romanos, o costume ganhou maior vulto, principalmente nas fases do império em que estiveram em voga os espetáculos circenses. Hernán Cortés, ao chegar à capital asteca, no século XVI, impressionou-se com os jardins do imperador Montezuma, com animais trazidos das mais distantes regiões do império.
Só a partir do século XVIII, porém, esses estabelecimentos começaram a ser abertos ao público. O primeiro foi o Jardin des Plantes, de Paris, de 1793, época em que se criaram muitos jardins zoológicos paralelamente aos jardins botânicos, em decorrência do abundante material recolhido pelas expedições de exploração científica. Essas viagens, realizadas entre os séculos XVI e XVIII, enriqueceram e elevaram o conhecimento científico a níveis nunca antes alcançados no que se refere à zoologia e à botânica.
No século XIX surgiram alguns dos jardins zoológicos mais famosos do mundo, como o do Regent"s Park, em Londres, fundado em 1828, o de Berlim (1844), destruído pelos bombardeios na segunda guerra mundial, e o de Filadélfia (1874), nos Estados Unidos. Também na América do Sul os zôos se multiplicaram. Entre eles se destacam os de Buenos Aires e Mendoza (Argentina), Rio de Janeiro, São Paulo e Belém (Brasil), e o de Santiago (Chile). O de Chapultepec, na Cidade do México, data de 1908.
O jardim zoológico do Rio de Janeiro foi fundado em 5 de setembro de 1884 por João Batista Viana Drummond, barão de Drummond, com o nome de Jardim Vila Isabel. Lá surgiu o jogo do bicho, cuja renda era destinada à manutenção dos animais expostos. O zoológico da Quinta da Boa Vista foi inaugurado em 1945, após a extinção do anterior.
Objetivos, problemas, organização. Sob os aspectos cultural e pedagógico, os zoológicos devem garantir o acesso do público às principais informações sobre as características dos animais ali expostos: sua classificação zoológica, procedência, hábitos, biologia etc. Além das informações fixadas junto ao local onde se aloja cada espécie animal, o zoológico cumpre essa missão por meio de recursos como vídeos, cursos, exposições, biblioteca, arquivos etc.
Recreação e lazer são algumas funções essenciais de todo zoológico e, por isso, eles costumam dispor de espaços para esse fim. Alguns possuem seções onde as crianças têm contato direto com o mundo animal em condições adequadas, aproximando-se de filhotes ou espécies inofensivas.
Do ponto de vista científico, os zoológicos são importantes porque realizam intensas pesquisas a respeito das condições de sobrevivência de espécies em cativeiro, desde hábitos alimentares até reprodução, comportamento e doenças. Essa atividade complementa o caráter preservacionista, cuja relevância é cada vez maior. De fato, espécies animais em perigo de extinção em seus habitats podem ser em parte recuperadas pelo trabalho dos jardins zoológicos. As técnicas de reprodução em cativeiro têm permitido aumentar o contingente de várias espécies, e até mesmo repovoar suas áreas de origem.
A técnica de reprodução de animais em zoológicos para posterior reintegração em habitats naturais começou a ser praticada efetivamente na década de 1970, mas, devido aos custos elevados, só se recorre a ela como último recurso. Exemplos de programas bem-sucedidos foi o de condores selvagens, levado a efeito pelo zôo de San Diego, nos Estados Unidos; o do falcão peregrino, no Reino Unido; e o do mico-leão-dourado, no Brasil.
A obtenção de novos espécimes é um dos grandes problemas dos zoológicos. As expedições de captura, com pessoal especializado das próprias entidades, é o sistema mais adequado, mas também se pode comprar de empresas especializadas. Alguns espécimes, como o urso panda da China e a ave-do-paraíso da Nova Guiné, só podem ser obtidos mediante doações dos governos. A permuta entre zôos também é muito comum.
As equipes profissionais dos jardins zoológicos enfrentam também constantes desafios, como a adaptação dos animais ao novo ambiente, sua alimentação (específica em quase todos os casos), a sempre difícil reprodução em cativeiro, a prevenção e a cura de doenças etc.
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AQUÁRIO - Aquários domésticos - Aquários de exposição - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.
AQUÁRIO
O cuidado e a observação de peixes e outros seres aquáticos, mantidos em ambientes artificiais, constitui tanto uma disciplina científica como um entretenimento dos que mais se desenvolveram desde o começo do século XX. Essa atividade, muito popular em numerosos países, constitui a base de uma verdadeira indústria, tanto no que se refere à elaboração de alimentos para peixes e fabrico dos componentes de aquário, como no que diz respeito ao intercâmbio comercial e à produção de numerosas espécies da fauna ictiológica.
No terreno científico, graças à construção de modernas e complexas instalações em que os animais aquáticos são mantidos em cativeiro e se vêem submetidos à observação e provas de laboratório, puderam-se estudar espécies tão interessantes como o golfinho, a orca, as moréias ou os polvos, ao mesmo tempo em que se obteve valiosa informação sobre sua biologia e seu comportamento.
Aquários domésticos. Um aquário é um recipiente de dimensões variáveis, provido dos componentes adequados para a criação e sustento de peixes, algas, outros animais e plantas aquáticas. De um modo geral, utilizam-se recipientes com paredes de vidro, que costumam ser dotados de uma armação metálica (de alumínio, aço inoxidável etc.) cujas extremidades se fixam com silicone, para obter-se sua impermeabilização. Utilizam-se ocasionalmente outros materiais, como as diversas modalidades de plástico transparente.
São fatores essenciais a forma e as dimensões do aquário. O modelo mais difundido é o retangular e as medidas costumam variar segundo as disponibilidades de espaço, das espécies que se deseja criar, do número de indivíduos etc. Outros condicionamentos que se devem levar em conta são a luz que o aquário recebe, a temperatura da água, seu conteúdo em gases e matéria orgânica dissolvida.
Proporciona-se a luz por meio de tubos fluorescentes instalados na parte superior. A temperatura, ainda que variável, situa-se em valores da ordem dos 20 a 25 C. As características da água dependem de sua procedência e têm relação, antes de tudo, com seu grau de dureza, isto é, com sua concentração de sais minerais, com a acidez e diversos elementos que podem ser dissolvidos nela, como metais pesados, cloro ou iodo. A maioria dos peixes criados em aquário requerem águas moles, de conteúdo escasso em sais. Um sistema muito empregado para baixar a dureza é o constituído pelos permutadores iônicos, substâncias resinosas que permitem a substituição dos componentes nocivos por outros inativos.
Em relação aos gases dissolvidos, a quantidade de oxigênio deve ser suficiente para permitir a respiração dos peixes, razão por que é preciso proporcionar o arejamento adequado. Também deve haver dióxido de carbono, para que as plantas desenvolvam o processo de fotossíntese. Com o propósito de manter um bom funcionamento, um aquário precisa de diversos aparelhos, como aquecedores providos de termostato, para manter a temperatura adequada, lâmpadas que produzam uma luz de cor e intensidade apropriadas, filtros (argilas, areias, fibras especiais, carvão ativado etc.) para depurar a água, arejadores, termômetros, pequenas redes, dosadores de alimento e outros utensílios.
Além de tudo isso, é recomendável introduzir no aquário diversas plantas aquáticas (tais como sagitárias, valisnérias ou fetos), que oxigenam a água e provêem de alimentos os peixes herbívoros. Também se tornam úteis os caracóis, que se alimentam de detritos e fazem desaparecer as partículas residuais.
A nutrição dos peixes de aquário é feita com alimentos secos artificiais, enriquecidos com sais minerais e vitaminas ou mesmo presas vivas, como larvas de mosquito ou vermes tubífices. A limpeza do aquário e a renovação da água devem efetuar-se periodicamente.
Aquários de exposição. O desenvolvimento e a popularização dos aquários, bem como o incremento do interesse científico por eles, estimularam a criação de centros em que, atrás de grandes vitrinas, expõe-se grande variedade de espécies animais e vegetais do meio fluvial ou marítimo. Esses aquários de exposição __ o primeiro deles inaugurado no Regent"s Park de Londres em 1853 __ costumam estar estreitamente vinculados aos institutos oceanográficos e aos centros de pesquisa que se interessam pelo habitat e pela biologia dos peixes e das plantas aquáticas. Alguns dos mais afamados aquários e oceanários, isto é, espaços em que se reproduzem as condições de vida de alto-mar, são o do Museu Oceanográfico de Mônaco, o de Nápoles, na Itália, e o de Plymouth, na Inglaterra. Nos Estados Unidos destacam-se o Steinhart, de San Francisco, o John G. Shedd, de Chicago, e o Marineland, da Flórida
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OCEANOGRAFIA - História - Exploração econômica do oceano. - Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.
OCEANOGRAFIA
O conhecimento dos mares atrai a atenção do homem não apenas pelo interesse econômico despertado por seus vastos recursos naturais, mas também pela curiosidade de descobrir a origem da vida e do próprio planeta, temas a que a oceanografia dedica seus estudos.
Oceanografia é o estudo científico de todos os aspectos dos mares e oceanos do mundo, inclusive de suas características químicas e físicas, sua origem e estrutura geológica, bem como das formas de vida do meio ambiente marinho. Não é uma ciência independente, mas a aplicação das ciências básicas à explicação do oceano e dos fenômenos que nele ocorrem. Tradicionalmente, divide-se em oceanografia física, química, biológica e geológica.
A oceanografia física concentra-se no estudo das propriedades da água do mar (temperatura, densidade, pressão etc.), seus movimentos (ondas, correntes e marés) e as interações entre as águas oceânicas e a atmosfera. A oceanografia química lida com a composição da água do mar e os ciclos biogeoquímicos que a afetam.
A oceanografia biológica também chamada ecologia marinha, estuda as plantas e animais marinhos, seus ciclos de vida e a produção de alimentos no mar. A geologia marinha estuda a estrutura, características e evolução das bacias oceânicas. A diferença entre a geologia marinha e a oceanografia geológica é apenas de ponto de vista ou atitude do pesquisador. Se um geólogo estuda um sedimento do fundo do mar mais para explicar o oceano do que o sedimento, faz oceanografia geológica e não geologia marinha.
No fim do século XX, a oceanografia era a soma total desses ramos, cada um dos quais baseado nos dados obtidos em expedições oceanográficas ou por outros meios. A pesquisa oceanográfica inclui a coleta e o estudo de amostras de água do mar e da vida marinha, o sensoriamento remoto dos processos oceânicos por aviões e satélites, além de sondagens e mapeamento sísmico da crosta terrestre sob os mares.
O conhecimento mais profundo dos oceanos permite prever com maior precisão mudanças climáticas de longo prazo, bem como explorar de forma mais eficaz os recursos marinhos. A oceanografia também é vital para compreender o efeito dos poluentes sobre a qualidade das águas oceânicas, tema que cresce em importância diante do aproveitamento cada vez maior dos recursos extraídos do mar.
História. Embora a oceanografia seja uma ciência recente, a curiosidade que tem como objeto os oceanos já se manifestou na antiga Grécia, nas observações de Posidônio de Apaméia sobre as marés. Os grandes descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI aumentaram o conhecimento dos europeus sobre os oceanos e outras regiões do mundo. Até o século XVIII, no entanto, esse saber não adquirira caráter autenticamente científico, o que só ocorreu a partir do trabalho do conde Luigi Ferdinando Marsigli, autor do primeiro tratado de oceanografia, publicado em 1771, em Veneza. O oceanógrafo estudou as variações de temperatura e de densidade da água marinha em relação à profundidade.
As expedições polares de John Ross e James Clark Ross, na primeira metade do século XIX, forneceram dados sobre as zonas profundas dos oceanos Ártico e Antártico. A partir das investigações do naturalista Joseph Hooker, participante da expedição de James Clark Ross, Victor Hensen deu o nome de plâncton aos organismos microscópicos que constituem a base da cadeia alimentar do mar.
Os estudos de cientistas como Thomas Henry Huxley e Edward Forbes estimularam a realização da expedição do Challenger, considerada o ponto de partida da oceanografia como ciência autônoma. Por recomendação da Royal Society, de Londres, a corveta a vapor Challenger, da Marinha britânica, viajou entre 1872 e 1876 pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Antártico, recolhendo amostras e fazendo sondagens. A publicação, entre 1880 e 1895, do relatório da expedição representa o primeiro grande passo da moderna oceanografia. À expedição científica do Challenger sucederam-se muitas outras, como a do Fram, navio norueguês que explorou o oceano Glacial Ártico entre 1893 e 1896, e a do Discovery britânico, que navegou pelo oceano Glacial Antártico entre 1925 e 1927.
Em 1902 criou-se em Copenhague o Conselho Internacional para a Exploração do Mar, que atravessou as duas guerras mundiais sem interromper suas prolíficas atividades. Embora já existissem laboratórios de pesquisa em vários países, o conselho e seu laboratório constituem realmente o primeiro instituto oceanográfico na acepção moderna do termo, e sua criação complementa a expedição do Challenger na criação da oceanografia moderna. Posteriormente, o príncipe Alberto I de Mônaco deu grande impulso à oceanografia. Também fundou o Museu de Oceanografia, em Mônaco (1910), e o Instituto Oceanográfico, em Paris (1911). O reconhecimento da nova atividade científica data, no entanto, de 1921, quando a União Internacional de Geodésia e Geofísica criou a Associação Internacional de Oceanografia Física, sua seção de oceanografia.
Embora na expedição do navio alemão Meteor ao Atlântico sul em 1925 já tivesse sido utilizado um sondador sonoro (ecobatímetro, ou sonar) para sondagem quase contínua do fundo, a grande aplicação dos estudos de som se deu na detecção de submarinos. E, se o nascimento da oceanografia se deve à viagem do Challenger e à criação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar, foi a segunda guerra mundial que, por empenho sobretudo da Marinha americana, lhe consolidou definitivamente a posição.
Tais avanços não teriam sido possíveis, no entanto, se a Marinha não contasse com a colaboração do Instituto Oceanográfico Scripps, na Califórnia, e do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, em Massachusetts. Foram sobretudo essas duas entidades de pesquisa que, associadas aos laboratórios da Marinha -- o Laboratório de Pesquisas Navais e o Laboratório de Propagação do Som na Água --, empenharam-se, entre outras, em pesquisas sobre o comportamento das ondas sonoras em meio aquoso e sobre a previsão de ondas. Também no Reino Unido se realizaram pesquisas sobre esses temas.
Entre os progressos associados às pesquisas que se fizeram em função das guerras inclui-se a sondagem pelo eco ou pelo som, que revolucionou os processos de representação do relevo submarino. Anos mais tarde, novo passo foi dado com as sondagens por ultra-sons. Durante a segunda guerra mundial, quando se utilizou o radar na navegação, ampliou-se o estudo sistemático dos oceanos, realizado por diversos países, devido à necessidade de conhecer detalhadamente a plataforma continental e a dinâmica das águas do mar, a fim de permitir o desembarque de veículos anfíbios.
Do Instituto Oceanográfico Scripps resultou a publicação do monumental The Oceans (1942; Os oceanos), primeiro tratado de oceanografia a reunir a oceanografia física, a química, a biológica e a geológica, que se tornou referência obrigatória em qualquer trabalho oceanográfico. Em 1953, o Reino Unido combinou num instituto único -- o Instituto Nacional de Oceanografia, em Wormley, Surrey -- as atividades oceanográficas do departamento de hidrografia do laboratório de pesquisas da Marinha e do comitê do Discovery. No campo internacional já se fundara, em 1921, em Mônaco, o Bureau Hidrográfico Internacional, que com muita lentidão realizava, como único encargo oceanográfico, a carta batimétrica dos oceanos, mas que traria importantes contribuições para a normalização do serviço hidrográfico no mundo.
A partir da década de 1950, a oceanografia ganhou grande impulso graças ao invento do batiscafo, que permitiu fazer observações importantes a mais de 11.000m de profundidade, na fossa das Marianas. Ao mesmo tempo, numerosos navios americanos, britânicos e soviéticos prosseguiram a obra iniciada no século anterior. Pesquisas de cientistas franceses, liderados pelo oficial da Marinha Jacques Yves Cousteau, se propuseram não só a explorar o fundo do mar, como também o estudo da fisiologia da imersão, dando origem a notáveis melhoramentos em vários tipos de trabalhos subaquáticos. Devem-se a Cousteau admiráveis documentários cinematográficos sobre a exploração submarina, entre os quais Le Monde du silence (1953; O mundo do silêncio), em colaboração com Louis Malle.
O Conselho Internacional de Uniões Científicas, sobretudo por meio de seu Comitê Científico sobre Pesquisa Oceânica, projetou e realizou o Ano Geofísico Internacional (1957-58), colaboração de mais de cinqüenta países em estudos do planeta, inclusive de seu oceano. A Comissão Oceanográfica Internacional manteve os dois centros coletores de dados, em Washington e Moscou, e continuou a estimular estudos e expedições conjuntas, dos quais são exemplos a Equalant (estudos do Atlântico tropical), a expedição ao oceano Índico e o estudo combinado do mar do Caribe.
A fim de estimular a colaboração oceanográfica entre os países e ajudar o desenvolvimento da oceanografia no mundo, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) criou, em 1961, seu escritório de oceanografia, que levou à criação, pelos países-membros, da Comissão Oceanográfica Intergovernamental, com sede na própria UNESCO, em Paris.
Exploração econômica do oceano. O mar é visto principalmente como provedor de alimento. No entanto, muitas outras atividades econômicas se desenvolvem nos oceanos, como o transporte marítimo (fretes), a extração de petróleo e de materiais contidos na água, tais como sal, magnésio, compostos de magnésio e bromo, ou no fundo do mar, como carvão, minério de ferro, enxofre, estanho, ilmenita, rutílio, zircônio, monazita, cromita, fosforita, aragonita, calcita, barita, diamantes, ouro, platina, areia e cascalho.
O grande interesse pelo petróleo encontrado no fundo do oceano, sobretudo nas plataformas continentais, e o interesse pelos nódulos polimetálicos que recobrem as grandes profundidades oceânicas convenceram os governos da importância de apoiar a pesquisa tecnológica para permitir os avanços necessários para que o homem pudesse ocupar efetivamente o oceano e nele trabalhar. Assim, foram desenvolvidos os engenhos de intervenção, como submarinos, batiscafos, torres de sondagem e mesmo laboratórios submersos.
O fato de se saber que a produção potencial máxima da pesca se limita ao dobro da que se obtinha na segunda metade do século XX estimulou grandes esforços na direção da piscicultura, para complementar, ou mesmo substituir, a pesca. Atividade costeira e das mais ameaçadas pela poluição, a piscicultura introduziu nos programas oceanográficos a preocupação com o problema da preservação do meio ambiente marinho. A magnitude do esforço necessário levou os Estados Unidos a reunirem, em 1970, todas as agências dedicadas ao mar e à atmosfera numa agência única, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Antes disso, em 1967, a França havia criado um poderoso órgão central de coordenação e de estímulo à atividade oceanográfica, a Comissão Nacional para a Exploração dos Oceanos.
Brasil. Em 1946, sob a direção do cientista francês Vladimir Besnard, criou-se o Instituto Paulista de Oceanografia, que em 1971 se instalou em sede especial na Universidade de São Paulo (USP). O instituto tem bases em Cananéia e Ubatuba, além de um laboratório de Fisiologia Marinha em São Sebastião. Nas universidades de Pernambuco e Ceará, pequenos institutos foram ampliados e se transformaram em laboratórios de ciência do mar. Em Rio Grande RS há um rico museu oceanográfico, com milhares de exemplares de conchas e moluscos.
A primeira preocupação com a oceanografia no Brasil, no entanto, nasceu no Ministério da Marinha, que em 1948 incluiu o assunto no curso de formação de oficiais-hidrógrafos. Por ocasião do Ano Geofísico Internacional, o navio-escola Almirante Saldanha foi inteiramente dedicado ao levantamento oceanográfico das águas brasileiras. E o interesse de levar a efeito explorações na Antártica levou o Brasil a organizar expedições oceanográficas àquele continente, utilizando dois navios, o Barão de Teffé, da Marinha, e o Professor Vladimir Besnard, da USP. Em 1994 a Marinha adquiriu para esse fim outro navio, o Ari Rongel.
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OVINO
Símbolo da atividade pastoril, durante séculos uma das principais ocupações do homem, o rebanho ovino foi também uma fonte essencial de riqueza para diversos povos e culturas. Ainda hoje, é um elemento básico da economia de muitas nações, por sua utilidade para as indústrias têxtil e alimentícia.
Ovino é o mamífero pertencente a uma subfamília da família dos bovídeos, ordem dos artiodáctilos. Seu único gênero -- Ovis -- inclui grande número de espécies selvagens e apenas uma domesticada, o carneiro (Ovis aries), à qual pertencem as mais de 300 raças espalhadas por todo o mundo. No hemisfério norte e na África ainda há ovinos selvagens, de tipos variadíssimos.
Esses animais diferem fundamentalmente dos caprinos por apresentarem glândula interdigital, glândulas suborbitais e cornos espiralados de seção transversal triangular e superfície ondulada (os dos caprinos, em geral, são lisos e de seção ovalar). Os ovinos não exalam o cheiro forte dos caprinos, nem apresentam cavanhaques ou barbas. Sua glândula interdigital produz um líquido untuoso e escuro, de odor característico, que tinge as pedras por onde o animal passa e denuncia sua presença a outras espécies.
História. A existência dos ovinos foi comprovada em depósitos fósseis de até um milhão de anos. Esses animais foram dos primeiros a serem domesticados (cerca de 5000 a.C., provavelmente na Ásia) e deles se aproveitavam a carne, o leite e a pele. O deus grego Apolo é representado apascentando rebanhos, e em muitas passagens da Bíblia os cordeiros são mencionados. Descobertas arqueológicas evidenciam que já se criavam ovinos na Mesopotâmia e no Egito, por volta de 3000 a.C. A civilização babilônica se distinguia pela excelente lã extraída de seus rebanhos. Mileto e Sardes, na Grécia, eram importantes centros de comercialização de lã. Acredita-se que os fenícios levaram ovinos de lã fina para as regiões costeiras do Mediterrâneo. Etruscos e babilônios escrutavam fígados de carneiro para adivinhar o futuro, e os romanos e os povos do norte da África dedicaram especial atenção a esses animais.
No planalto de Pamir, a quase 5.000m de altitude, existe uma espécie selvagem de longos chifres espiralados, descrita no século XIII por Marco Polo e por isso denominada Ovis poli. O argali (Ovis ammon) é outra espécie da Ásia central. Muitas outras espécies ovinas -- O. sairensis, O. borealis, O. nivicola e O. vignei -- acham-se espalhadas pela Sibéria, Mongólia e pelo deserto de Gobi.
As raças domésticas descendem, provavelmente, do argali (O. ammon), do urial (O. vignei) e do muflão (O. musimon), outra espécie selvagem ainda encontrada na Córsega e Sardenha. Nativo da América do Norte, o O. canadensis, de chifres lisos e grandes cornos, assemelha-se a algumas espécies asiáticas. No continente americano há ainda os ovinos das montanhas do México, da Califórnia e de outras regiões.
Raças. A dominação da península ibérica pelos árabes, até meados do século XV, proporcionou extraordinário desenvolvimento à criação de ovinos de lã fina. Daí se originou a raça merino. Com a expulsão dos mouros da Espanha, o rei, a nobreza e o clero apoderaram-se dos rebanhos, transformaram a criação desses animais em monopólio e proibiram a saída do país de espécimes da raça merino. Só em 1760 o rei da Espanha presenteou seu primo, o eleitor da Saxônia, com um pequeno rebanho de merinos (precursores da variedade merino eleitoral). A variedade negretti resultou da introdução do merino na Áustria e Hungria, em 1771. Com a fundação da bergerie de Rambouillet por Luís XVI, a França intensificou a difusão da raça hoje conhecida como merino rambouillet, obtida a partir de rigorosa seleção do rebanho inicial, para alcançar maior rendimento na produção de carne e leite.
Todos os países procuraram introduzir o merino em seus rebanhos de ovinos para melhorar as raças locais. Na América do Norte, a difusão e seleção do merino formou as variedades rambouillet, delaine e vermont. A Austrália o introduziu em 1794 e, no final do século XX, estava entre os maiores produtores mundiais, juntamente com Nova Zelândia, China, Índia, Estados Unidos, África do Sul, Argentina e Turquia. As raças polwarth, da Austrália, e corriedale, da Nova Zelândia, originaram-se de cruzamentos de merinos com a raça lincoln.
Foi provavelmente Tomé de Sousa quem trouxe os ovinos (bordaleiros, merinos e asiáticos) para o Brasil. No Rio Grande do Sul logo proliferaram os novos rebanhos, que contavam com 17.000 cabeças em 1797. No fim do século XX, o estado era o maior criador brasileiro. As raças mais difundidas eram polwarth (ideal), corriedale e romney marsh. No Nordeste criam-se ovinos "deslanados" ou "de morada nova" (desprovidos de lã), cujas peles são muito apreciadas pela fina textura.
As raças produtoras de lã se agrupam segundo as características das fibras do velo: (1) lã fina, espessura média de 18 a 22 micrometros (µ), cujo melhor representante é a raça merino; (2) lã prima, espessura entre 23 e 25µ, encontrada nas raças polwarth, merilin e targhee; (3) lã cruza fina, entre 27 e 32µ, das raças corriedale, romeldale, colúmbia, ryeland, dorset-horn e muitas outras; (4) lã cruza média, entre 32 e 34µ, representada pelas raças romney marsh, leicester, cotswold e lincoln; e (5) lã cruza grossa, entre 36 e 40µ, característica da raça crioula e das inglesas highland, blackfaced e herdiwick. No Sul do Brasil, a tosquia se faz entre outubro e dezembro. O animal pode ser tosquiado à mão, com tesoura, ou mecanicamente, com tosquiadeira elétrica.
Na produção de carne, destacam-se as raças inglesas southdown, shropshire, hampshire, oxfordshire e suffolk, e também a merino precoce, de origem francesa. Alguns países da Europa criam ovinos produtores de leite, das raças wilstermach, east-frisia, bergamácia e lacaune. Esses animais fornecem entre 500 a 700g diárias de leite para o fabrico dos queijos roquefort, na França, e pecorino, na Itália. Para o aproveitamento da pele, a raça karakul é a mais valiosa: de seus cordeiros recém-nascidos extrai-se o famoso astracã.
Criação e aproveitamento. Há ovinos em quase todos os países do mundo. Sua criação, porém, só atinge expressão econômica nas regiões pastoris localizadas entre os paralelos de 25o e 45o, em ambos os hemisférios. Nas criações extensivas, a lã é sempre o produto principal. Para o aproveitamento da carne, do leite ou da pele os ovinos são criados em pequenos rebanhos, em regime intensivo.
As ovelhas atingem a idade de reprodução entre 12 e 18 meses. Há raças que se reproduzem em qualquer época do ano (poliestria anual) e outras que revelam atividade sexual em determinados períodos (poliestria estacional), como a merino. No sul do Brasil, as raças merino e polwarth entram em atividade sexual no verão, e a romney marsh, em março. Um ovino pesa, em média, de 7 a 15kg, até os seis meses, e de quarenta a oitenta quilos, quando adulto. A produção média de lã, nos rebanhos comuns, fica entre um e cinco quilos, mas pode passar dos dez quilos em machos altamente selecionados. A pele pesa de um a três quilos, sem a lã.
Doenças. A grande maioria das doenças que atacam os ovinos pode ser evitada com a vacinação. O carbúnculo hemático é causado pelo Bacillus anthracis e provoca apoplexia cerebral e hemorragia pelas aberturas naturais. Evolui muito depressa e raramente permite tratamento. O meio mais comum de infecção é por via oral. Os cadáveres dos animais infectados devem ser queimados, pois transmitem a doença. Os campos onde eles permaneciam continuam como área de risco por muitos anos.
O carbúnculo sintomático ou manqueira é provocado pela bactéria Clostridium chauvei. Caracteriza-se por tumefações nos quartos posteriores e outras regiões do corpo. A necrobacilose é causada pelo bacilo da necrose (Sphaerophorus necrophorus) e provoca ulcerações labiais, podridão do pé, vulvite e lesões crônicas nas orelhas. No Brasil, a podridão do pé também é chamada pietin, foot rot, mal de vaso e manqueira. A oftalmia contagiosa, ou "doença da lágrima", atribuída por alguns autores a um microrganismo do gênero Moraxella, propaga-se com rapidez e provoca opacidade da córnea. O ectima contagioso, ou boqueira, é causado por um vírus e manifesta-se por pequenas vesículas e pústulas nas tetas, lábios e gengiva. A brucelose, causada por bactérias do gênero Brucella, atinge não só os ovinos mas também os bovinos, o homem, os cavalos e os cães. Os animais doentes devem ser sacrificados. A febre aftosa, doença virótica, começa com febre e prossegue com erupção de vesículas na cavidade bucal, tetas e na fenda dos cascos.
A sarna psorótica é causada por um ácaro (Psoroptes ovis) que perfura a pele do carneiro e provoca inflamação e formação de crostas. A corióptica, pouco contagiosa, é menos freqüente. O tratamento é feito com banhos, dias após a tosquia, em água com sarnicidas diluídos (gamexano, toxafeno, canfeno clorado). As miíases, ou bicheiras, são produzidas pelas larvas de moscas (Callitroga americana) e se instalam em qualquer ferida (da castração, da tosquia ou amputação da cauda).
O maior inimigo do rebanho ovino é, porém, a verminose, que causa mais prejuízos do que todas as outras doenças juntas. Os tricostrongilídeos provocam gastroenterite crônica, caracterizada por diarréia, perda de apetite, anemia, emagrecimento e morte. O helminto Dictyocaulus filaria, associado a bactérias de invasão secundária, provoca tosse, edema pulmonar e broncopneumonia verminótica. A fasciolose, causada pela Fasciola hepatica, atinge ovinos, bovinos e vários outros vertebrados.
Lã.
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